Trombose Espiritual
- ueandreluizcg

- 27 de dez. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de dez. de 2018
“Quem sustenta a calma e a fé nos dias de aflição, encontrará a paz com brevidade e segurança, porque a dor, em todas as ocasiões, é a serva bendita de Deus que nos procura, em nome d´Ele, a fim de levar a efeito, dentro de nós, o serviço da perfeição que ainda não sabemos realizar”. NEIO LÚCIO
Você pode até se chocar com essa afirmação espiritual: a dor é uma serva de Deus. É possível que você esteja se perguntando, tal qual eu já fiz inúmeras vezes: afinal, sendo Deus nosso Pai Amoroso, como Ele poderia permitir o sofrimento de seus filhos?
Encontrei no Espiritismo uma explicação lógica e ao mesmo tempo, libertadora: a dor nos visita com um bom propósito: o de provocar o nosso aperfeiçoamento! É uma lei de equilíbrio e educação, afirma Léon Denis na obra O problema do ser, do destino e da dor, FEB. Nossos problemas, geralmente, se encontram nas zonas da nossa ignorância e infantilidade; por isso, a dor é um alerta, para que essas áreas sejam amadurecidas, a fim de que o Espírito empreenda o caminho da vitória.
Uma pessoa ingressa na maturidade quando: 1) assume a responsabilidade por sua vida, pelas escolhas que faz e pelas consequências que colhe; 2) aprende a lidar com suas naturais frustações, pois, na vida, dificilmente alguém terá tudo o que deseja, de modo que o bem viver será sempre aprender a desfrutar tudo o que se tem; 3) sabe que não tem direitos ilimitados, pois esses terminam quando começam os direitos do outro.
As dores de hoje querem apenas forjar o nosso crescimento existencial.
Deus tem um plano maravilhoso para cada um de nós, assim como nós temos sonhos muito bonitos para os nossos filhos. Desejamos que eles cresçam, sejam saudáveis, se realizem, ganhem autonomia, progridam em todos os sentidos, enfim, sejam felizes. Em escala infinitamente maior, Deus também deseja o nosso crescimento, pois a maturidade é condição essencial da felicidade.
Quando, porém, resistimos ao nosso amadurecimento, deixando de agir de uma forma melhor do que aquela que temos agido, mais inteligente e mais amorosa, provocamos uma espécie de trombose espiritual, que emperra a nossa evolução e, assim, a nossa própria felicidade. A dor, portanto, é um sintoma importante, que nos avisa para a necessidade urgente de dissolvermos os coágulos da nossa imaturidade.
Dessa forma, a dor não é punição divina, castigo do céu ou coisa que o valha. É um mecanismo de despertamento da criatura para os potenciais que ela não está utilizando. Ela está dormindo e o problema vem acordá-la, incomodando-a até que ela mude algo dentro de si mesma.
As dificuldades são as grandes mestras do nosso desenvolvimento!
É aquele professor rigoroso, que nos obriga a estudar e, assim, assimilar o conhecimento, que abre portas ao nosso progresso.
É a doença que nos obriga a cuidar melhor da saúde.
É a carência econômica que nos ensina a importância do trabalho.
É o desamor de alguém por nós e que nos mostra a necessidade de nos amarmos.
É o desastre financeiro que nos mostra que a vida pode ser vivida com mais simplicidade.
É a situação desafiadora que faz despertar em nós a coragem de que não sabemos ser possuidores.
É a perda de um ente querido que nos abre os olhos para amarmos as pessoas enquanto elas estão ao nosso lado.

Post bondosamente enviado pela Irmã Ilda Yumi
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